Morre o professor Sergio Mascarenhas: ciência de São Carlos e do Brasil estão de luto
01/06/2021 08:10 em NOTÍCIAS DE SÃO CARLOS

Morre hoje, 31/05, aos 93 anos o professor Sérgio Mascarenhas, um dos símbolos da ciência nacional e, por consequência, de São Carlos. Pioneiro em muitas áreas, o professor Sérgio Mascarenhas foi um físico-químico que, além de ter pesquisas relevantes em diversas áreas, como na medicina, foi o responsável por trazer um grande desenvolvimento social, científico e tecnológico para o Brasil. Recebeu diversos prêmios como a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico(2002). Foi professor visitante de algumas das principais universidades do mundo, como Princeton, Harvard e MIT, entre outras e tem um legado inestimável para São Carlos, pois aqui ajudou a criar a Embrapa Instrumentação Agropecuária, que é referência na área em todo o planeta.

Em Vida

Graduou-se em física na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e em química na Universidade Federal do Rio de Janeiro entre 1947 e 1951. Lá teve aulas com cientistas de porte como César Lattes, Álvaro Alberto e Joaquim da Costa Ribeiro.

Após um período como professor nos Estados Unidos, decidiu ir para São Carlos, cidade do interior de São Paulo. Foi convidado para ser professor em Princeton, mas recusou a oferta – preferiu “tentar fazer a diferença no Brasil” (Como ele mesmo diz, “Cientista deve exercer sua função social”). Participou da escola de engenharia da USP e lá criou o Instituto de Física e Química da USP de São Carlos.

Quando o médico, industrial e político Ernesto Pereira Lopes quis criar uma universidade federal em São Carlos, reunindo várias escolas já existentes, recebeu de Mascarenhas uma ideia diferente: a de fazer uma universidade a partir do zero, abrindo as portas para áreas de conhecimento pouco exploradas pela ciência do Brasil até então – como a física do estado sólido. Ernesto não só concordou como o chamou para ser reitor dessa universidade, a Universidade Federal de São Carlos – UFSCar – em 1968. Em 1972, Mascarenhas criou a primeira Engenharia de Materiais da América Latina, na UFSCar.

Dez anos depois da criação do Instituto de Física e Química de São Carlos, colaborou na criação da Unidade de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento de Instrumentação- UAPDIA da Embrapa, hoje Embrapa Instrumentação. Lá desenvolveu, junto com Silvio Crestana, um sistema de tomografia de solo pioneiro no mundo.

Em 2005, Mascarenhas foi diagnosticado com a doença hidrocefalia. Indignado com os métodos invasivos da medicina para o tratamento – o crânio do paciente deveria ser perfurado para medir a pressão intracraniana – decidiu pesquisar novas formas de fazer esta medição, o que resultou em um novo método muito menos invasivo, no qual um aparelho é colocado no couro cabeludo do paciente. Esse projeto que revolucionou o tratamento de hidrocefalia, tumores cerebrais e traumatismo craniano foi desenvolvido em conjunto com a FAPESP e a Organização Mundial de Saúde, na faculdade de medicina da USP de Ribeirão Preto.

Além dessas realizações, ainda fundou o Instituto de Estudos Avançados de São Carlos, da USP, o Instituto de Pesquisas Adib Jatene e o Programa Internacional de Estudos e Projetos para a América Latina – PIEPAL.

Mascarenhas propôs a criação do curso universitário de Engenharia de Sistemas Complexos, inexistente no Brasil. Em 2020, se disse preocupado com a situação da ciência no país. Para ele, “Dizer como estão dizendo atualmente que o Brasil não precisa de ciência básica é não conhecer nada da evolução da humanidade. Da pesquisa básica nasce a ciência aplicada. O Brasil se não for pelo caminho da ciência, da computação, da inteligência artificial, da robótica, nanotecnologia, vai ficar cada vez mais colonizado pela tecnologia alheia […] O caminho para o desenvolvimento passa pela tecnologia, educação e empreendedorismo”.

Fonte  https://saocarlosemrede.com.br/morre-o-professor-sergio-mascarenhas-ciencia-de-sao-carlos-e-do-brasil-estao-de-luto/

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